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Monday, September 29, 2008

Associações homossexuais cristãs apelam à Igreja para não ser "fonte de atitudes homófobas"

via sapo noticias
28 de Setembro de 2008, 20:23

Évora, 28 Set (Lusa) -- Seis associações homossexuais cristãs de Portugal e Espanha apelaram hoje à hierarquia da Igreja para "reflectir" sobre a "melhor forma" de participar no debate social sobre questões que envolvem a homossexualidade "sem que seja fonte de atitudes homófobas".

Estas associações contestam sobretudo as atitudes da Igreja "ao opor-se às acções do Estado Laico, quando este promove ou discute propostas" visando "a igualdade entre todos os seus cidadãos" e "quando essas atitudes colidem com a mensagem inclusiva de Jesus".

O apelo surge num documento a enviar aos presidentes das conferências episcopais portuguesa e espanhola e subscrito pelas associações que participaram no 1º Encontro Ibérico de Grupos Homossexuais Cristãos, que terminou hoje, em Évora.

O encontro, organizado pelo Grupo Homossexual Católico português Rumos Novos, de Évora, juntou, este fim-de-semana, 26 representantes daquela e de outras cinco associações cristãs de homossexuais de Espanha.

"A Igreja tem sido homofóbica e tomado atitudes que potenciam a homofobia, através de uma posição de retracção e até de alguma negação dos homossexuais e, sobretudo, negando o acolhimento benévolo dos homossexuais crentes no seio da vida cristã", disse à agência Lusa o dirigente do grupo Rumos Novos, que quis identificar-se apenas pelo nome de José.

Segundo o responsável, "a Igreja, face aos novos conhecimentos da ciência, deve abrir-se a uma nova reflexão sobre a homossexualidade e, sobretudo, sobre a condição dos homossexuais crentes".

Neste sentido, no documento, as associações apelam aos bispos portugueses e espanhóis para que o próximo Sínodo, que vai realizar-se entre 05 e 26 de Outubro, no Vaticano, "seja um espaço privilegiado para uma nova reflexão teológica sobre a condição dos católicos homossexuais no seio da Igreja".

Uma reflexão "à luz do amplamente afirmado pelas ciências psicológicas e antropológicas de que a orientação sexual não é uma doença, nem uma perversão da natureza, mas outrossim uma variante absolutamente natural", sugerem as associações subscritoras do documento.

"E crentes de que os católicos homossexuais são membros do corpo místico de Jesus e fazem parte do povo de Deus, podendo expressar a sua sexualidade através de um modo conforme aos ensinamentos de Jesus Cristo", continua o apelo.

Além de temas ligados à condição dos homossexuais cristãos, os participantes no encontro debateram também o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a responsabilidade do Estado na promoção da Igualdade.

Neste sentido, as seis associações, disse José, apelam ao Governo português para aprovar legislação que permita o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo em Portugal, já que em Espanha, desde 2005, um casal de pessoas do mesmo sexo pode casar e adoptar crianças.

"Trata-se de casamento civil e não de matrimónio religioso", frisou José, referindo que "a Igreja deve ser livre de conceder o sacramento do matrimónio aos fiéis que entender".

No entanto, defendeu, "a Igreja não deve interferir nem opor-se às iniciativas do Estado Laico para legalizar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo".

Por "falta de tempo", explicou José, as associações não abordaram este fim-de-semana a adopção por casais homossexuais, que, juntamente com outros temas gays, lésbicos, bissexuais e transexuais (GLBT), serão discutidos no segundo Encontro Ibérico de Grupos Homossexuais Cristãos, que deverá realizar-se no próximo ano, em Espanha.

LL.

Lusa/Fim

Saturday, August 11, 2007

ILGA denunciará à UE a discriminação homofóbica do BES

"Lisboa, 11 aGO (Lusa)

A Associação ILGA Portugal afirmou hoje que vai denunciar junto da Comissão Europeia um caso de alegada discriminação com base na orientação sexual no acesso a crédito de habitação perpetrado pelo BES, que, por seu turno, rejeita aquelas acusações.
Num comunicado difundido hoje, a associação de defesa dos direitos da comunidade gay, lésbica, bissexual e transgender repudia a situação em causa noticiada esta semana pela TVI, segundo a qual o Banco Espírito Santo terá discriminado um casal de gays no acesso ao crédito à habitação.
Segundo a estação de televisão citada pela ILGA, o BES justificou a recusa em conceder ao casal de gays um empréstimo para compra da primeira habitação alegando que, de acordo com a lei portuguesa, "um agregado familiar é um conjunto de pessoas constituído pelos cônjuges ou por duas pessoas que vivam em condições análogas às dos cônjuges, e por isso está implícito que essas pessoas sejam de sexo diferente".
"De acordo com o BES, não existindo casamento entre pessoas do mesmo sexo, a união de facto entre pessoas do mesmo sexo, ainda que prevista por lei, não se aplicaria", escreve ainda a associação, acrescentando que, segundo a TVI, o casal levou o banco a tribunal, que depois foi condenado, tendo entretanto interposto recurso da sentença, o que o BES desmentiu, em declarações à Lusa, referindo que vai acatar a decisão do tribunal.
A ILGA sublinha que "o tratamento discriminatório de casais do mesmo sexo viola a Constituição da República Portuguesa - que desde 2004 proíbe explicitamente a discriminação com base na orientação sexual - e vai contra o espírito da Lei 7/2001 (Lei das Uniões de Facto), que contempla explicitamente casais de pessoas do mesmo sexo".
No entender da associação, apesar da lei, "a realidade é que esta não tem sido a interpretação de várias entidades públicas e privadas que se refugiam na expressão 'condições análogas às dos cônjuges' com o objectivo de discriminar casais de gays ou de lésbicas", e alerta o Governo e a Assembleia da República para "a urgência da igualdade no acesso ao casamento civil".
A Associação ILGA recorda que fez um estudo em 2003 sobre empréstimos para compra de habitação para casais de pessoas do mesmo sexo unidas de facto, e na altura "a Caixa Geral de Depósitos, o Banco Português de Investimento e o Banco Santander/Totta afirmaram a sua política não discriminatória".
Por seu turno, uma fonte oficial do BES, em declarações à agência Lusa, rejeitou "a insinuação de qualquer tipo de discriminação".
"A prova de que o BES não discrimina é dada pela própria decisão do tribunal que teve por base um caso anterior de concessão de crédito por parte do BES a um casal do mesmo sexo. Ou seja, não está em causa qualquer questão de discriminação, mas tão só de interpretação da lei quanto à concessão de crédito a dois indivíduos do mesmo sexo, independentemente de serem ou não um casal", sustentou a fonte.
O BES adiantou ainda que, relativamente a este caso, "decidiu não dar seguimento ao recurso e acatar a decisão do tribunal".

AG/RSF.
Lusa/Fim"

Tuesday, July 24, 2007

"Espanha: mãe perde guarda de filhas por ser lésbica"

"O juiz espanhol Fernando Calamita, da região de Múrcia, decidiu tirar as filhas dos cuidados de sua mãe por ela ser lésbica. A sexualidade foi considerada uma influência negativa na educação e no crescimento das filhas, segundo publicou nesta segunda-feira o jornal espanhol El País."

"O juiz considerou que os filhos têm direito a um pai e a uma mãe. Segundo o juíz, o senso comum dita que o homem e a mulher se complementam e "duas mulheres e dois homens, não". Durante o processo, foi feita a declaração equivocada de que menores criados por homossexuais têm mais chance de se tornarem também homossexuais.Na década de 80, o mesmo juiz deteve duas mulheres por fazerem top less na praia da Chicana e, no mês passado, colocou entraves a adoção do filho de uma mulher pela companheira, com quem é casada."

"Na sentença, ele disse à mãe que teria que escolher entre suas filhas e sua companheira. A Federação de Mulheres Progressistas e a Federação de Gays e Lésbicas da espanha manifestaram que a decisão de Fernando Calamita é um escândalo, considerando-a inconstitucional e discriminatória por não cumprir o artigo 14 da constituição que proíbe a discriminação por orientação sexual.As associações pediram, nesta segunda-feira, 23/07, ao Conselho Geral do Poder Judiciário e às associações de juízes que atuem contra a sentença de Fernando Calamita."

"SECOM parabeniza camara pela reprovação de projecto de cura de homossexuais"

"A Secretaria de Comunicação da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgeneros -ABGLT enviou ofpicio à comissão de seguridade social e família da Câmara Federal por ter rejeitado o projeto de Lei nº 2.177 de 2003, de autoria do Deputado Neucimar Fraga, do PL/ES, que pretendia oferecer pelo Sus "tratamento" para homossexuais que quisessem virar "heterossexuais". Para Léo Mendes, o ato da maioria dos deputados´foi o de respeito a constituição federal que proíbe, no artigo quinto a discriminação de qualquer ordem. " Se a Organização Mundial de Saúde já declarou que Homossexualidade não é doença, mas sim uma orientação sexual tão normal quanto a heterossexualidade, por que esta insistencia do deputado homofobico de desrespeito aos direitos fundamentais e individuais de 18 milhões de brasileiros homossexuais?" . Léo Mendes, entende que a Homofobia é uma doença daqueles que tem ódio de pessoas não heterossexuais, e que os Nucleos de Atendimento Psico-Social-Naps do Sus precisam priorizar o tratamento de gente como o Deputado Neucimar Fraga."

Sunday, July 22, 2007

A saúde das lésbicas é negligenciada

No início de 2006 foram divulgadas as conclusões de um inquérito levado a cabo em Inglaterra pela associação LGBT Stonewall, que expuseram lacunas imensas na qualidade dos serviços de saúde prestados às mulheres que amam mulheres - por oposição aos que são ministrados a outras mulheres.

Este ano prepara-se novo inquérito, pela mesma Stonewall, e já estão lançados apelos para que respondam o maior número possível de mulheres que praticam sexo homossexual. O objectivo não é simplesmente contabilizar os casos de deficiente assistência médica, mas perceber a profundidade e origem desta situação de preconceito profissional.

Este inquério destina-se só a mulheres do Reino Unido, mas é uma exemplar iniciativa que deveria ter emitadores em todo o lado, fossem governos ou associações, e com particular pertinência em Portugal, neste Ano Europeu de Igualdade de Oportunidades para Todos.

Friday, June 15, 2007

Você distingue!?

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Friday, May 4, 2007

Igreja Anglicana abre as portas do armário à Bíblia_2

A iniciativa anglicana ‘Would Jesus Descriminate’, de apologia à tolerância sexual, divulgou em 5 grandes cartazes 5 casos de passagens da Bíblia que são habitualmente abafadas pela linha ideológica dominante que é difundida como verdade moral na eucaristia cristã, às populações. Ora, é preciso ter em conta que afinal a Bíblia testemunha relações homossexuais, e louva o amor entre duas pessoas do mesmo sexo como um amor tão ou mais virtuoso que o amor heterossexual (onde o homem dominador é enaltecido).

- Jesus cura à distância o amante Judeu de um centurião Romano, cuja fé tão grande o impressiona;
- Recém-viúvas, Rute e Naomi renegam regressar ao jugo dos pais respectivos, juntam-se e trocam votos de fidelidade mútua;
- Jesus afirma que ‘ser eunuco desde o nascimento’ é ser previlegiado por Deus, sendo que à época a terminologia ‘nascer eunuco’ era uma sinónimo de ser homossexual;
- Jesus recebe em eucaristia um ‘eunuco’ assumido sem atentar à sua orientação sexual, mas apenas à qualidade da sua fé;
- o príncipe Jonathan apaixona-se pelo nómada David. O rei desaprova esta afeição em virtude dos atagonismos políticos com David, o que causa a fuga de Jonathan para perto de David.

Esta campanha foi, evidentemente, contestada por facções menos tolerantes, e houve até ataques aos cartazes que terão sido perpetrados por algum fundamentalista religioso.

Thursday, May 3, 2007

Igreja Anglicana abre as portas do armário à Bíblia_1

O arcebispo de Cantuária – o sumo-sacerdote da Igreja Anglicana – revelou recentemente, numa aula de teologia em Toronto, que ao contrário do que se cria a Bíblia afinal não condena a homossexualidade.

O livro sagrado dos cristãos ter-se-á esclarecido a Rowan Williams como a ninguém antes. Ao que parece, uma passagem na Epístola de São Paulo aos Romanos não é dedicada a condenar a sodomia (homossexualidade, como entendida ancestralmente – cheia de motivações maléficas, incitamento demoníaco, e etc...) mas a avisar os cristãos para não se presumirem virtuosos quando assistirem aos pecados dos outros. Paulo terá dito: “Homens cometem actos indecentes com outros homens e receberam em si mesmos a devida pena pela sua perversão”. O acebispo interpreta a frase assim: “Em caso qualquer que condenes outra pessoa, estás a condenar-te a ti mesmo”.

O tema da homossexualidade está a ameaçar a integridade da igreja anglicana. Desde há poucos anos que esta fé assumiu não discriminar as pessoas homossexuais, além de permitir que sacerdotes homossexuais conduzam a eucaristia, assim como mulheres. Os sacerdotes de África contestam abruptamente esta filosofia, e já ameaçaram com a cisão da igreja.
Mas o poder maior está nos países anglófonos, onde a aceitação da homossexualidade progride rapidamente.

A campanha anti-homofóbica ‘Would Jesus Descriminate’ (“E Jesus, discriminaria?”) que foi divulgada há poucas semanas é uma verdadeira apologia religiosa da homossexualidade.

Monday, April 30, 2007

Lesbofobia_7

Discriminação na Universidade Chilena de Concepción

Duas alunas da Universidade cita foram expulsas, depois de humilhadas e insultadas, pelos seguranças da casa de estudo onde se encontravam. Estes alegaram que elas se comportaram de modo imoral, e que o regulamento indica a expulsão em tal caso. Mencionaram também que ‘naquele lugar passam crianças’.

A associação lésbica ‘Mafalda’ tomou conta da queixa das alunas, estranhou a contradição dos actos para com o lema da Universidade: desenvolver livremente o espírito. Convocaram um protesto diante da Universidade, e exigiram reunir com o director Sergio Lavanchy para exigir a substituição preventida e punitiva dos guardas alegando “princípios éticos”.

Ao mesmo tempo, o governo chileno move-se na direcção de aprovar uma lei de união civil entre homossexuais, com deputados e senadores a subscrever um documento iniciado pela associação Movilh, em que colaboraram advogados e professores académicos. O intuito foi acelerar os compromissos assumidos no programa presidencial.

Esta notícia toca-me especialmente. Quando eu andava na faculdade podia namorar onde quisesse, escola ou casa, e podia levar para o apartamento onde vivia, e que partilhava com outras, quem eu quisesse fossem que horas fossem, mesmo que não se tratásse de outra aluna da Universidade. As minhas colegas partilhavam da minha vida sentimental, tanto quanto eu partilhava das delas, e penso mesmo que até a encarregada do edifício conhecia os/as amores de todas nós. Foi, como deveria ser para toda a gente, o melhor momento da minha vida, e não um momento de refrear emoções ou conhecimentos.

Para reportar situações de lesbofobia:
lesbophobie@sos-homophobie.org
ilga-portugal@ilga.org
umar.lisboa@netcabo.pt ou umarpt@netcabo.pt
homofobia@mail.pt

Outros recursos: Lesbofobia_1; Lesbofobia_2; Lesbofobia_3; Lesbofobia_4; Lesbofobia_5; Lesbofobia_6

Saturday, April 7, 2007

Chega de encobrir a brutalidade da polícia!

Há poucas horas atrás dois cidadãos portugueses foram violentados nos seus direitos por polícias do Porto, supostos agentes do cumprimento das leis, e defesa da cidadania.

Mesmo que os sujeitos não fossem portugueses, mesmo que não fossem homossexuais... É da competência da PSP fazer o registo de uma ocorrência e receber uma queixa de quaisquer individuos. Por isso saltam à vista as culpas dos polícias neste caso:
1. são culpados de terem intervido inadvertidamente e molestado - com ofensas pessoais, acusações falsas e ameaças - o casal enquanto passeava na rua;
2. são culpados de intencionalmente não atenderem à queixa daqueles indivíduos contra os polícias que os molestaram e não actuarem em seu auxílio;
3. são culpados de intencionalmente encobrirem os crimes de colegas, e são cúmplices das suas acções homofóbicas;
4. são culpados de abusarem da autoridade que lhes foi conferida pelo Estado Português e de traírem a segurança pública.

A notícia foi divulgada pelo Público on line. Leiam-na integralmente aqui.

Thursday, April 5, 2007

Lesbofobia_6

Há alguns posts atrás compilei algumas notícias que resumiam situações de lesbofobia ocorridos num passado recente. Mas só no período da semana que passou reportaram-se em agências noticiosas lgbt, via internet, mais um ‘bom’ conjunto de casos de lesbofobia por esse mundo.
Cá vão as sinteses de 4 incidentes:

“México: expulsam uma aluna por condutas lésbicas numa escola de Tabasco”

Este caso aconteceu em Fevereiro passado. Uma coordenadora de escola expulsou, não pela primeira vez, uma aluna cujo comportamento durante os tempos livres foi vigiado, avaliado e julgado como ‘delinquente’. Em Outubro do ano passado ocorrência idêntica havia resultado na sanção de um grupo de raparigas, que incluiu ‘acompanhamento psicológico correctivo’. A comissão Estatal de Direitos Humanos foi alertada dos factos, e reagiu exigindo uma investigação rigorosa, uma sanção à funcionária e o regresso da aluna à escola.

“Lésbica Ugandina procura asilo nos Estados Unidos”

“Eu odeei-me desde esse dia”. “Odeei a minha família por sujeitar-me a tamanha tortura, e contudo acharam que era um bom castigo para mim”.
Olivia Nabulwala refere-se à perseguição de que foi vítima pela família, quando souberam que era lésbica. Durante anos insultaram-na, e desta vez esmurraram-na, despiram-na, prenderam-na ao chão e escarneceram dela enquanto era violada por um estranho. Há mais de 10 anos que a perseguição motivada pela orientação sexual é aceite nos Estados Unidos como alegação de motivo em pedidos de asilo. No Uganda a homossexualidade é sujeita a pena de prisão entre 1 e 4 anos. Se Olivia não conseguir asilo, voltará para lá.

“Atletas profissionais lésbicas ainda lutam contra os estereótipos”

Uma treinadora de uma equipa de basquetebol feminino demitiu-se num momento decisivo da época desportiva, justificando-se com incompatibilidades com as jogadoras lésbicas da equipa. Estas situações iam acontecendo em surdina, nos bastidores do desporto, mas houve quem a processásse com queixas de discriminação. O desporto é habitualmente território propício a homofobias, mas já se notam algumas mudanças, em parte catalizadas por campanhas de consciencialização e leis anti-discriminatórias.

“Beijo lésbico em jornal de escola enfurece pais”

Um questionário sobre sexo anal, uma reportagem sobre um vibrador e uma fotografia de duas mulheres beijando-se sob um título “Porque os homens gostam de mulheres que gostam de mulheres”, foram demasiadas ‘provocações’ para os pais aguentarem. Alguns pais querem um debate público, por tratar-se de ‘pornografia acessível a crianças, à custa impostos dos contribuintes’. O director da escola admitiu que uma linha de decência e profissionalismo tinha sido ultrapassada, e debateu em privado o sucedido, enquanto que o conselheiro pelo jornal defendeu que a intenção era informar os alunos, em vez de chocar, embora fosse provável que causásse contovérsia. “Este é um lugar para os alunos expressarem a sua perspectiva e falarem sobre assuntos que os estão a incomodar” (...) “É algo que os pais esperam que os filhos ignorem até depois do casamento. (...)”

Para reportar situações de lesbofobia:
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Monday, April 2, 2007

Lesbofobia_5

Lesbofobia interiorizada

A lesbofobia interiorizada é uma dimensão particularmente acutilante do fenómeno social que discrimina as lésbicas. Acontece quando o sentimento de ser-se lésbica é reprimido, por ser percebido como algo errado, ‘anormal’ ou indejesado – aquilo a que se chama homossexualidade egodistónica – ou quando se recorre à dissimulação de actos ou ideias perante pessoas, estranhas ou não, que expressamente apoiam esses mesmos equívocos. A este nível a experiência da própria sexualidade torna-se estigmatizante, o que torna a regularização do problema cada vez mais difícil.

Este post mostra que existem duas vertentes, ou dois vectores principais, segundo os quais a lesbofobia funciona:

1. quando as lésbicas interiorizam como ‘verdadeiro’ o equívoco heteronormativo generalizado pelas sociedades preconceituosas. Desta forma estão a avalizar um erro, porque não querem ‘opôr-se à maioria’ de opiniões, e autorizam-lhes uma suposta ‘superioridade’;

2. quando, reconhecendo a lesbofobia como efectivo mecanismo de repressão, adoptam-na como estratégia de sobrevivência ou dirigem-na sobre a sua ‘comunidade’ como estratégia de superiorização. Deste modo procuram garantir-se seguras da sua sexualidade – e de si – perante segund@s e teceir@s.

“(...) Algunos rasgos de la lesbofobia internalizada nos resultan tan familiares que nosotras mismas los aceptamos como parte de una 'cultura lésbica'. (...)”
“(...) Reconocer el concepto de lesbofobia internalizada esa de trascendental importancia y es importante compartir ese reconocimiento con todas las lesbianas. (...)”

Como se pode depreender, este problema acarreta consequências grandes e sérias na vida pessoal, íntima e social, das mulheres afectadas: quando a lesbofobia toma conta dos relacionamentos e afectos, dificilmente existirá e resistirá a harmonia pessoal e no par. Nesse instante a mulher deixou de ser simplesmente vítima de um preconceito alienígena – que lhe foi veiculado desde uma comunidade, onde se vê, acertadamente, inclusa, mas que distancia e reprova as lésbicas – e torna-se também agressora – porque se serve da arma arremessada contra ela para ripostar, sob instinto, contra uma comunidade onde se sente, equivocadamente, reclusa.

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Saturday, March 31, 2007

Isto não está bem... nada bem

No Tennessee, E.U.A., uma rapariga de 15 anos acusou um homem de 42, Alexander Cross, de a ter molestado com práticas de sexo oral. Cross foi detido em janeiro de 2007 para aguardar julgamento, tendo sido, ao décimo dia, ‘flagrado’ no chuveiro com formas femininas. Passou a ser recluso na ala das mulheres.
A acusação veio a declarar em tribunal, que a rapariga se tinha apaixonado por Alexander antes de ‘descobrir que era uma mulher’. Perplexa, a rapariga colocou a justiça em perseguição de Cross, a mesma justiça que havia concedido a este, e bem, a mudança do nome de baptismo.
A defesa instruiu Cross a declarar-se culpado... enquanto mulher. Uma das acusações foi retirada, e a juíza Rebecca Stern suspendeu a sentença de 2 anos a que Cross podia ter-se sujeito. Apesar disso, obrigou-o a registar-se como ‘agressor sexual’, e disse-lhe que deveria mudar o nome da carta de condução para o que lhe fora dado em baptismo, de novo – isto foi-lhe solicitado nos seguintes termos: “de homem para mulher”.
A GRAVIDADE DESTA DISCRIMINAÇÃO É BÁRBARA.

Esta notícia, apesar de relatar os factos sem mentiras, conta tudo muito mal. Pior ainda no vídeo do link incluido. Alexander é sucessivamente referido como ‘ela’ na segunda parte das notícias, tendo os editores preferido avalizar os erros da juíza a avalizar a verdade da vítima, do verdadeiro ofendido, Alexander Cross.

Penso que também sobre este tema, a transexualidade, o caminho mais correcto é a educação, a difusão das muitas verdades que se escondem sob a intimidação institucionalizada de ameaças brutas, irracionais: educar os agentes da justiça para reformular as teorias e práticas jurídicas; educar os jovens sobre a pluralidade sexual que colora a humanidade, e dizer-lhes que não há problema se as suas também forem coloridas.
Ninguém aplica conhecimentos que não tem.

Wednesday, March 14, 2007

Deixem passar o casamento... em Braga

Todos podem assistir e deseja-se que participem.

Virá bem a propósito da fama que Braga tem de ser cidade de padres e o Minho região de tradição em casamentos, o colóquio “As uniões de facto e o casamento: para onde tende a discriminação?” que o GRIP levará à Universidade do Minho na 6ª feira próxima, 15 de Março.

Um representante do Grupo de Refelexão e Intervenção do Porto dará voz “pela defesa da necessidade de acesso de casais do mesmo sexo ao casamento civil”.
Às 15 horas, no Anfiteatro 1 do Complexo Pedagógico 1 do Campus de Gualtar (onde já decorreu o debate “Identidade e Cidadania: activismo Gay e Lésbico”)

Sunday, March 11, 2007

Lesbofobia_4

Situações passadas

2007, Fevereiro – Chile: Dois casais de jovens lésbicas denunciam à associação LGBT chilena ‘Movimiento de Integración y Liberación Homosexual’ que foram advertidas, de modo grosseiro, para não trocarem afectos nos espaços do parque de diversões Fantasilandia.

2007, Fevereiro – Irlanda: Juntas há 20 anos e casadas no Canadá em 2003, duas lésbicas Irlandesas foram impedidas pela justiça irlandesa de declarar rendimentos em conjunto, e viram a sua união, legal e regular, perder efeito. Recorreram da decisão jurídica, reclamando inconstitucionalidade, e novamente ficaram a perder.

2004, Junho – Espanha: duas lésbicas retiraram-se de um bar de Getaria, depois de terem sido insultadas pelos clientes. Foram perseguidas ainda, pela dona do estabelecimento, que proferiu insultos muito grosseiros. Fizeram uma denúncia a uma associação de defesa dos direitos LGBT, que solicitou à dona do bar que se identificásse. Os dados que esta lhes entregou eram falsos.

2000 – Brasil (7 relatos diferentes):
1. bar em Brasília explusa lésbica por beijo na boca;
2. lésbica e militante é ameaçada de morte, em Minas Gerais;
3. lésbica é drogada num bar e assaltada em casa, no Rio de Janeiro;
4. lésbica de 41 anos é violada no local de trabalho, São Paulo;
5. lésbicas são impedidas de registarem-se num motel, São Paulo;
6. casal de 24 e 38 anos ganha indemnização por injúrias, ameaças e boicote, Rio Grande do Sul;
7. Compaq discrimina lésbicas na internet

1999 – Chile: num esforço para que o governo revogásse a lei que considera a homossexualidade atentatória dos ‘bons costumes’, duas lésbicas lançaram numa rádio local uma campanha que recolheu milhares de apoios. Consequentemente tornaram-se vítimas de injúrias, perseguição, ameaças, tentativas de sequestro. Refugiaram-se na Argentina enquanto solicitaram asilo ao Canadá.

Para reportar situações de lesbofobia:
lesbophobie@sos-homophobie.org
ilga-portugal@ilga.org
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homofobia@mail.pt

Outros recursos: Lesbofobia_1; Lesbofobia_2; Lesbofobia_3

Wednesday, March 7, 2007

Lesbofobia_2

No passado dia 27 de Fevereiro a associação espanhola JereLesGay (Asociación de Lesbianas, Gays, Transexuales y Bisexuales) divulgou um manifesto atribuindo ao machismo patriarcal homofóbico, que demarca a matriz subjacente da sociedade, a responsabilidade pela discriminação das lésbicas. Ali reivindicam que estas não mais sejam invisibilizadas e se escusem mais atitudes discriminatórias.
Defendem que importa sobretudo educar sobre os valores de igualdade e respeito pela diversidade sexual, de forma a erradicar “(...) os esterótipos e preconceitos que dão lugar à dita discriminação.”

Como exemplo gritante de lesbofobia, a exclusão da candidatura para Miss America da pretendente pelo Estado de Nevada, depois de ter sido ‘apanhada’ a beijar outra mulher. Sem esperar pelo evento, o patriarcado penalizou-lhe a falta de feminilidade – considerado o factor primordial de avaliação nos ‘concursos de beleza’ – sendo ela lésbica, assim que se desvendou a verdade.

Para reportar situações de lesbofobia:
lesbophobie@sos-homophobie.org
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Outros recursos: Lesbofobia_1

Lésbica violada na África do Sul

Na África do Sul, uma mulher lésbica de 19 anos foi violada depois de sair de um bar acompanhada por 3 homens. Eles levaram-na para um descampado, dois deles dominaram-na no chão e violaram-na repetidamente, enquanto que o terceiro se evadia do local, depois de frustradas as suas tentativas de dissuasão dos outros dois. Alegadamente o que motivou os violadores foi a curiosidade: ‘como seria foder uma lésbica?’

Uma porta voz de um movimento de defesa das mulheres, Emelda Boikanyo, tentou diminuir a importância do caso: “O facto de que um deles tentou desencorajar os outros dois mostra que eles não são anormais. Eles são só violentos, agressivos e desordeiros.” Ainda acrescentou: “Eles são só maus elementos da nossa sociedade. Não é crime ser lésbica.”

Estas declarações são severamente ofensivas para as lésbicas. Primeiro porque menorizar esta violência é admitir permissão às reincidências; Segundo porque não é normal ser-se anti-social, violento, agressivo, desordeiro... as lésbicas certamente não o são; Terceiro porque mesmo que o lesbianismo fosse ilegal na África do Sul, não caberia a 3 criminosos o julgamento e execução de uma qualquer pena; Quarto porque não é condigno diminuir a importância de uma agressão motivada por preconceitos e ódios irracionais que conseguem subsistir às leis mais ponderadas – é urgente educar os homens e as sociedades, mostrar-lhe que devem às mulheres o mesmo respeito que esperam para si. A perversão das ideias não absolve os genitais.

Para reportar situações de lesbofobia:
lesbophobie@sos-homophobie.org
ilga-portugal@ilga.org
umar.lisboa@netcabo.pt ou umarpt@netcabo.pt
homofobia@mail.pt

Outros recursos: Lesbofobia_1

Tuesday, March 6, 2007

Lesbofobia_1

Existe.

Refere-se a um tipo de discriminação muito grave que recai sobre as lésbicas, primeiro em razão da sua orientação sexual, que contradiz o ditame ‘heterossexual-normal’, e depois, e primordialmente, porque são mulheres. Uma dupla discriminação: homofobia e misoginia juntas podem acabar por agravar o sentimento de repúdio por estas mulheres. A gravidade dessa situação parece ser o motivo de se reportarem menos queixas por homofobia de mulheres que de homens.
Está a fazer 3 anos que um inquérito francês indicou que, de entre 1800 lésbicas, 57% sentiu lesbofobia; quase metade destas sentiu-o durante actividades quotidianas normais, e quase tantas em família; um quarto delas sentiu-o entre amigos e no emprego; 10% sentiu-o num enquadramento médico, com 4% a especificar as consultas de ginecologia. Uma análise detalhada destes dados será publicada durante este ano.

Para reportar situações de lesbofobia:
lesbophobie@sos-homophobie.org
ilga-portugal@ilga.org
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