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Tuesday, August 5, 2008

Ainda se praticam terapias para "deixar de ser gay" em Espanha

Via AG Magazine

«A sexóloga Noemí Domínguez denuncia que em Espanha ainda se levam a cabo, «de maneira encoberta», terapias destinadas a "corrigir" a orientação sexual.»

«Apesar da reconhecida Associação Norte-Americana de Psiquiatria ter excluído em 1973 a homossexualidade da sua lista de patologias, em Espanha, 35 anos despois, ainda se levam a cabo, «de maneira encoberta», terapias destinadas a «corrigir» a orientação sexual, denunciou a sexóloga Noemí Domínguez.»

«Ao longo destes anos a comunidade científica demonstrou e aceitou que a homossexualidade não é nenhuma doença mental e que, portanto, nem gays nem lésbicas necessitam de intervenção terapêutica nenhuma, excepto se viverem a sua orientação sexual de forma conflituosa.»

«De facto, um grupo minoritário de psiquiatras e psicólogos continua a defender que a homossexualidade é uma doença e que, como tal, pode ser tratada conforme as denominadas terapias reparadoras o de conversão.»

TERAPIAS DESTRUTIVAS

(...)
«Os efeitos destas terapias, que costumam desenvolver-se durante vários anos, podem chegar a ser «destrutivos», pois provocam danos emocionais, psicológicos, profissionais e até económicos a quem os sofre, já que se tratam de processos excessivamente demorados e dispendiosos.»

UMA TERAPIA DE 12 ANOS

(...)
«"Depois de doze anos de tratamento consideraram que me tinha curado e deixei de ir à terapia, mas eu sabia no meu interior que ainda tinha os mesmos desejos", explica Llorent, que decidiu então pôr fim a esta palhaçada e comunicar à sua família o que era e que não se tinha atrevido a dizer durante tantos anos: que era homossexual.»

LAVAGENS CEREBRAIS

«Llorent, que agora tem 40 anos, teve a sorte de contar com o apoio da sua família, ainda que sofresse o afastamento das suas amizades, ligadas na sua maioria, tal como ele, ao mundo eclesiástico e cristão de base.»

«Actualmente, Llorent trabalha como agente pastoral em hospitais e preside à Associação Cristã de Gays e Lesbianas (ACGIL), cujo trabalho almeja normalizar na sociedade a situação de todos os cristãos que amam pessoas do mesmo sexo.»

«"A mensagem do Evangelho não tem por que ser incompatível com o tema da homossexualidade. A mensagem real está completamente distorcida, já que se fizeram leituras totalmente patriarcais e conservadoras", denuncia Llorent.»

«Como Noemí Domínguez, esta vítima das terapias reparadoras assegura que em Espanha "ainda há elementos" que practicam clandestinamente "lavagens cerebrais" com o fim de "corrigir condutas erradas".»

«O problema, realça Llorent, é que estes profissionais alegam que os homossexuais recorrem à consulta de forma voluntaria "e, perante isso, não há nada que se possa fazer».

Sunday, July 22, 2007

A saúde das lésbicas é negligenciada

No início de 2006 foram divulgadas as conclusões de um inquérito levado a cabo em Inglaterra pela associação LGBT Stonewall, que expuseram lacunas imensas na qualidade dos serviços de saúde prestados às mulheres que amam mulheres - por oposição aos que são ministrados a outras mulheres.

Este ano prepara-se novo inquérito, pela mesma Stonewall, e já estão lançados apelos para que respondam o maior número possível de mulheres que praticam sexo homossexual. O objectivo não é simplesmente contabilizar os casos de deficiente assistência médica, mas perceber a profundidade e origem desta situação de preconceito profissional.

Este inquério destina-se só a mulheres do Reino Unido, mas é uma exemplar iniciativa que deveria ter emitadores em todo o lado, fossem governos ou associações, e com particular pertinência em Portugal, neste Ano Europeu de Igualdade de Oportunidades para Todos.

Monday, April 2, 2007

Lesbofobia_5

Lesbofobia interiorizada

A lesbofobia interiorizada é uma dimensão particularmente acutilante do fenómeno social que discrimina as lésbicas. Acontece quando o sentimento de ser-se lésbica é reprimido, por ser percebido como algo errado, ‘anormal’ ou indejesado – aquilo a que se chama homossexualidade egodistónica – ou quando se recorre à dissimulação de actos ou ideias perante pessoas, estranhas ou não, que expressamente apoiam esses mesmos equívocos. A este nível a experiência da própria sexualidade torna-se estigmatizante, o que torna a regularização do problema cada vez mais difícil.

Este post mostra que existem duas vertentes, ou dois vectores principais, segundo os quais a lesbofobia funciona:

1. quando as lésbicas interiorizam como ‘verdadeiro’ o equívoco heteronormativo generalizado pelas sociedades preconceituosas. Desta forma estão a avalizar um erro, porque não querem ‘opôr-se à maioria’ de opiniões, e autorizam-lhes uma suposta ‘superioridade’;

2. quando, reconhecendo a lesbofobia como efectivo mecanismo de repressão, adoptam-na como estratégia de sobrevivência ou dirigem-na sobre a sua ‘comunidade’ como estratégia de superiorização. Deste modo procuram garantir-se seguras da sua sexualidade – e de si – perante segund@s e teceir@s.

(...) Algunos rasgos de la lesbofobia internalizada nos resultan tan familiares que nosotras mismas los aceptamos como parte de una 'cultura lésbica'. (...)
(...) Reconocer el concepto de lesbofobia internalizada esa de trascendental importancia y es importante compartir ese reconocimiento con todas las lesbianas. (...)

Como se pode depreender, este problema acarreta consequências grandes e sérias na vida pessoal, íntima e social, das mulheres afectadas: quando a lesbofobia toma conta dos relacionamentos e afectos, dificilmente existirá e resistirá a harmonia pessoal e no par. Nesse instante a mulher deixou de ser simplesmente vítima de um preconceito alienígena – que lhe foi veiculado desde uma comunidade, onde se vê, acertadamente, inclusa, mas que distancia e reprova as lésbicas – e torna-se também agressora – porque se serve da arma arremessada contra ela para ripostar, sob instinto, contra uma comunidade onde se sente, equivocadamente, reclusa.

Para reportar situações de lesbofobia:
lesbophobie@sos-homophobie.org
ilga-portugal@ilga.org
umar.lisboa@netcabo.pt ou umarpt@netcabo.pt
homofobia@mail.pt

Outros recursos: Lesbofobia_1; Lesbofobia_2; Lesbofobia_3; Lesbofobia_4

Monday, February 12, 2007

Puxão de orelhas à Justiça

"É necessário que todas as pessoas confiem na justiça. Se alguém não for ouvido quando diz que é vítima de violência racista, como é que as minorias vão confiar naqueles que as devem proteger?"

"(...) Portugal ainda não ratificou o Protocolo nº 12 à Convenção Europeia dos Direitos Humanos, que proíbe toda e qualquer discriminação."

Os preconceitos e estereótipos estão na base do racismo. A vontade de conhecer o outro resolve grande parte dos problemas. A solução passa pela educação

no Relatório da Comissão Europeia Contra o Racismo e a Intolerância (ECRI).
Relembro que 2007 é o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todas as pessoas

Wednesday, January 24, 2007

Governo português abre-se à 'desmistificação'

A notícia é fresca, e aparentemente feliz.

Depois da boa receptividade que a iniciativa "Todos diferentes, todos iguais" teve em Portugal há uns anos atrás, o governo decidiu criar um Programa homónimo e seguidor dos mesmos vectores ideológicos.
A propósito do Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades, a decorrer, o Instituto Português da Juventude, que gere o Programa, propõe-se e propõe «apoiar iniciativas que contribuam para a desmistificação de preconceitos baseados no desconhecimento, o fortalecimento do respeito pela diferença e o entendimento de que a diversidade pode ser um factor qualitativo de maior participação social».
A principal forma de apoio será o financiamento de projectos de promoção da igualdade e da diversidade.

Resta esperar para verificar se o dinheiro estará para os 'descriminados' como uma palmadinha nas costas e uma festinha na cabeça, ou se estará para os que descriminam como uma eficaz bofetada na tacanhez, que é como realmente faz falta.