Eyes On… Tokenismo
Ainda a propósito da última cerimónia de entrega dos Oscars, decorrida a semana passada, encontrei num artigo dum blog inglês um termo que me era desconhecido, e que deverá sê-lo ainda para imensa gente: Tokenismo, um novo conceito para uma atitude velha.
Tokenismo refere-se a uma forma dissimulada de praticar a discriminação de alguns sectores da sociedade enquanto que se transmite uma aparente aceitação daqueles indivíduos entre 'iguais'. Tokens são, então, indivíduos representantes desses sectores, expostos pela mão do ‘stablishment’ como cidadãos aceites numa sociedade tolerante, mas cuja visibilidade é usada como ferramenta política de menosprezo do grupo. Aqui ‘procurava-se’ um token gay, e aqui o Token original.
No contexto do artigo inglês que li, a análise era focalizada sobre a apresentadora dos Oscars – declaradamente lésbica – e estendia-se até outras actrizes e artistas lésbicas que em Hollywood são ‘abafadas’ na altura das distinções de mérito, constituindo a cerimónia deste ano um verdadeiro e felicíssimo volte-face nesta realidade.
Apercebi-me depois que existem muitos mais contextos reais em que o tokenismo é correntemente usado como exemplo de uma política inclusiva e de respeito democrático, quando na verdade é uma fachada de charme hipócrita.
Uma das mais conhecidas ocorrências de tokenismo é a política de ‘Don’t Ask, Don’t Tell’ adoptada algumas vezes pelos militares norte-americanos; Outra acontece nas forças armadas portuguesas e recai sobre as voluntárias que ingressam o serviço; Aqui um trabalho intitulado “Astucias de la razón y psicología crítica: condiciones de erotismo-seducción, prácticas de tokenismo y resistencias ético-políticas” debruça-se sobre aquele tokenismo que passa perfeitamente incógnito há séculos: o machismo paternalista da sociedade sobre a mulher desde que nasce até que morre; O tokenismo na juventude; E aqui concretamente sobre o ‘Orgulho Gay’.
