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Wednesday, May 30, 2007

Identidade Social Sim, Separatismo Não!

Há já vários dias que encontro em vários sites internacionais de notícias de temática homossexual a notícia de que um 'empresário' inglês na Austrália recorreu aos tribunais para garantir que no seu bar gay não entre nenhuma pessoa heterossexual, ou sequer lésbicas.

O argumento que o motivou para tal medida - afastar a possibilidade de confrontos entre hetero e homossexuais, e proteger a privacidade destes - pode parecer-nos razoável, sem dúvida. E até mesmo sensato ou indispensável aos olhos daqueles que terão já passado por tais situações, mas promover uma política de separatismo parece-me errado em todos os sentidos: excluir heteros é tão reprovável quanto excluir homos, especialmente quando o argumento discriminador é moralista - e nas LGBTfobias/heterofobias é-o sempre.

Não quero com isto dizer que o apelo comercial tenha de ser equitativamente dirigido a todos os públicos. De facto, parece-me muito boa estratégia comercial explorar o nicho gay dos mercados, através de campanhas publicitárias (grandes e generalistas) que apelem à sensibilidade particular dos homossexuais. Mas adoptar esta política de verdadeiro separatismo só ajudará a transmitir a noção de que há diferenças cruciais a preservar, de entre as quais valores morais decorrentes de uma orientação sexual.
Não devemos esquecer que aquilo porque os homossexuais aspiram é que, em todas as sociedades, o seu 'padrão' se torne, relativamente àquele 'padrão' maior e pural, indestrinçável dele, e prolífico com ele.

Monday, May 28, 2007

Workshop TRANS_Formação

O GRIP e a Rede Ex-Aequo promoverão um evento de esclarecimento e formação sobre Transexualidade que conta com a participação de toda a gente. É sugerido um aviso de comparência prévio, que podem fazer pelo endereço grip.ilga@gmail.com.

Estas iniciativas púbicas de reflexão sobre a transexualidade são raras, até há pouco inexistentes. De entre o expectro LGBT da população, a fracção T é a que conta ainda com menos atenção e dedicação. A ‘causa’ T difere da ‘causa’ LGB num ponto essencial: enquanto que os primeiros reclamam não serem diferenciados na qualidade de cidadãos (direitos iguais para todos), os segundos ainda reclamam o direito a definirem o seu sexo e nome conforme a sua identidade de género. E que há aí de problemático? No workshop encontrarão a resposta, ou mesmo várias.
Dada a seriedade do tema e a urgência em ‘trabalhar’ as noções – muitas no registo do preconceito, do tabu – que dele guarda a sociedade anónima (onde se integram ‘invisíveis’ @s cidadã@s trans), apelo ao interesse e disponibilidade de TOD@S.

No Porto, na ‘Maria vai com as outras’ (Rua do Almada), no dia 2 de Junho (próximo sábado), pelas 16 horas.

Thursday, December 7, 2006

Roubam a identidade, mas não a dignidade de existir.

És um cidadão/cidadã exemplar!? Não deves nada à Justiça e és cumpridor/cumpridora da Lei!? Respeitas os outros/outras!?

Eu não tenho nenhuma ocorrência no meu registo criminal; faço por seguir os trâmites legais que a Justiça tece sobre a nossa/minha democracia, e tento o mais possível entender a posição dos meus concidadãos face às suas/nossa vidas – tanto quanto desejo que eles/elas entendam a minha posição face à minha/nossa vida. Esclareça-se que se somos iguais enquanto pessoas, e sendo indivíduos em conjunto, somos cidadãos sob os mesmos pressupostos – liberdade, igualdade, fraternidade, dignidade, justiça e solidariedade.

Mas por incrível que pareça eu devo à Justiça o que outras pessoas não devem nem nunca deverão! Devo à Justiça o facto de ser Lésbica – e felismente ser Lésbica é um fenómeno 'instituido', ou corresse eu o risco de me acharem homem por amar mulheres.
Hoje a Justiça portuguesa deixou de prestar contas com um Homem que só deve à Justiça o facto de ser Homem. Que contas quer a Justiça ajustar!? Que raio de dívida pode um Homem ter com a Justiça à custa de ser Homem!?

Porque é que ninguém impede a Justiça Portuguesa de continuar a perseguir as Lésbicas e Gays por serem Homossexuais, e @s Transexuais por serem Homens e Mulheres!? Porque é que toda a gente aceita passivamente assistir a isto!? Hoje eu aceitei pela última vez.

Haja uma Lei de Identidade de Género já!

Wednesday, November 22, 2006

Identidade de Género ganha reconhecimento legal... em Espanha

Sabem o que é LGBT?

Esta sigla significa Lésbica-Gay-Bissexual-Transexual. Transexuais são pessoas que lidam com questões de identidade de género, situação que, por definição de Homossexual e Bissexual, não acontece com Lésbicas, Gays ou Bissexuais.
Da mesma forma que é desconhecido o número de homossexuais e bissexuais em Portugal, também o número de transexuais. Longe de sermos todos heterossexuais (lolol...) – como queriam que fosse verdade os homofóbicos todos à face da Terra – estima-se, com base em sondagens sempre oficiosas, que 10% da população portuguesa seja homossexual ou bissexual, e que provavelmente 1% será transexual. Caros concidadãos... estes números são significativos! Se vocês conhecem 100 pessoas, 10 deles serão homo ou bissexuais, e 1 é transexual. Significa que em Portugal somos 1.056.959 LGB e 105.696 T.

Agora imaginem que além da vossa orientação sexual não ser concordante com aquela que é socialmente convencionada e entendida como única e ‘normal’ – a heterossexualidade – vocês não conseguem viver com o género com que toda a gente vos identifica. Vocês nasceram homens mas encontram-se aprisionados em corpos cuja genitália vos cataloga como mulher. Podem imaginar a qualidade de vida que desde cedo iriam ter... nenhuma! Desde logo porque toda a gente insiste em chamar-vos por um nome feminino, mas isso nem é o pior. Pior é terem esse nome escrito em todos os documentos que validam cada passo que vão firmar no vosso percurso de vida, e serem só dessa maneira reconhecidos como cidadãos, como pessoas.

Em Portugal @s transexuais podem corrigir o seu sexo anatómico, e assumir definitivamente um aspecto de uma pessoa que corresponde ao género com o qual se identificam. Até podem tentar corrigir a sua identidade oficial, mudando o nome e o género no registo. Mas acreditem... nada é mais complicado que isso. Não é a priori garantido a nenhum transexual português que, dando início ao processo de transformação do corpo, a sua identidade venha a ser corrigida também de forma concordante.

Em Espanha a situação dos seus cidadãos transexuais era igual à nossa até este ano. Este país democrático reviu muito recentemente as condicionantes legais que impunha às pessoas que queria corrigir a sua identidade oficial, e tudo agora é mais fácil. Mesmo aqui ao lado, 443.953 pessoas podem ter tido a sua qualidade de vida finalmente emparelhada com os dos restantes espanhois.
Saibam de tudo com rigor aqui.

Parabéns Espanha. Encontramos no vosso exemplo um auspicioso sinal de esperança para os nossos concidadãos transexuais.