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Wednesday, September 26, 2007

Outro pela visibilidade

Ponham os olhos em mais um vídeo, este da banda inglesa Wire Daisies - uma banda 'gentil'.

A vocalista desta banda é lésbica, e os temas do grupo abordam abertamente a homossexualidade. No video a seguir - Gay Boy - fica bem patente como ser assumidamente homossexual não é motivo de vergonha nem justificação para deixar-mos de agir como é natural em nós.

"Ele é um rapaz gay, e nota-se."
"Mas não há problema, miúdo... ninguém sabe!"

Monday, September 17, 2007

"O armário de celuloide"

Em tempo do festival internacional de cinema gay e lésbico de Lisboa - Queer Lisboa - fui espreitar esse "cenário", e eis o que encontrei:

"The Lavender Lens: 100 Years of Celluloid Queers"



"The Celluloid Closet" - Trailer



"My Secret Love - Celluloid Closet"

Sunday, September 9, 2007

Burro velho mas bem-falante

Eu fiquei gaga!

Depois da minha mãe ter-me enchido de orgulho lésbico, finalmente também o meu pai. Na cavaqueira usual pós-janta, e a propósito de um comentário que fiz sobre uma notícia do dia, o meu pai fez uma declaração inesperada que me deixou zonza, a mediar sensações de grande surpresa e grande alegria: de pai de lésbica resignado e espectador, passara a fiel defensor da causa/luta homossexual! Mas ferrenho mesmo, pelo que percebi!

Com o meu pai, o trabalho de educação pela não discriminação foi sempre mais árduo. Ele teimava em levantar resistências que eu temia apelidar frontalmente de "preconceito", para evitar que ele se ferísse com a minha desilusão e se retraísse mais. Assim, sempre achou que fazia o máximo para entender e lidar com a homossexualidade - e se não a entendia era porque não fazia sentido - o que me levou a recuar e aceitar a sua limitação como a etapa mais satisfatória possível na educação homo-tolerante (será melhor dizer pró-homossexual, ou "friendly"!?) que podia alcançar com ele. Eis se não quando... ele se manifesta totalmente solidário com as angústias com que os homossexuais se confrontam no plano do direito, da representação em sociedade e das emoções privadas. Admitiu até ter estado sob o preconceito corrente que o impediu de ver a problemática objectivamente.

Foi soberbo! Um salto derradeiro que deu sozinho, a ruminar ideias à mesa de um café, onde um jornal noticiava que a JS decidira novamente relegar a reivindicação do casamento homossexual para outra agenda política. Agora só falta a problemática trans... Vou fazer-lhe a introdução à matéria o quanto antes!

E disto eu também retirei lições. Percebi que educar eficazmente passa por saber encontrar os termos e temas com que melhor alcançar e colocar em funcionamento o motor de entendimento dos sujeitos. No caso do meu pai, foi a política... e já antes eu havia tentado esse caminho. Ao que parece, só agora ele alcançou outro dos requisitos essenciais para evoluir: vontade.

Wednesday, February 14, 2007

Dia de quem namora.

Seja homem ou mulher.

De linguística não percebo nada, mas verifico que existe na língua portuguesa uma característica que pode dificultar qualquer mudança das matrizes e dinâmicas social/públicas em Portugal.

Trata-se do nosso idioma diferenciar os géneros masculino e feminino, sendo que aos substantivos que usamos para aglomerar sujeitos de ambos os géneros, ou uniformes, dá-se predominância ao masculino – atitude que reflete a toda a linha o androcentrismo misógino para que a humanidade moderna convergiu. Exemplo disto é falarmos em ‘Dia dos Namorados’ em vez de ‘Dia das Namoradas’. De facto, a expressão no feminimo pode ‘subverter' acentuadamente o significado da expressão usual, pelo que a evitamos, e isto acontece a todo o instante quando nos exprimimos, a ponto de já não notarmos sequer.

O idioma e como o usamos (a expressão verbal) são das marcas que mais vincam a identidade de um povo, que melhor refletem a cultura das comunidades. Assim, é bem provável que o peso do nosso idioma seja um obstáculo tácito, mas real, a algumas mudanças ‘culturais’ que urgem no nosso país. Pode ser que tenha já acontecido na discussão que antecedeu o referendo à IVG, e talvez novamente na altura de se falar das questões de não-discriminação dos homossexuais – no sentido de se regulamentar as uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, a adopção e a reprodução medicamente assistida para pessoas homossexuais.

Monday, January 8, 2007

LGBT, direitos e parentalidade_recursos 1

Depois de ter postado sobre a discriminação que existe na reprodução medicamente assistida em Portugal, e de ter passado os olhos neste outro post, encontrei diversos recursos teóricos extremamente interessantes na internet.

Antes de vos mostrar os tais achados, vou tentar resumir o busílis da problemática que está em causa:
Em Portugal, e apesar do que diz a Lei Fundamental, todas as outras leis subalternas – que são dais mais variadas maneiras discriminatórias das pessoas lgbt – pressupõem para todos os efeitos que as lésbicas, os gays e os transexuais são pessoas estéreis. Já antes havíamos sido doentes mentais, até ficar esclarecido que afinal não somos. E como também não somos estéreis, alguém tem de esclarecer o Estado disso, para que se regularizem muitas verdades.

As leis portuguesas tomam como uma condenação herdada 'do destino' este mero critério das nossas sexualidades ‘peculiares’, e atribuem-nos como uma ‘pena natural’ esse ónus de discriminação que permitem se transfira para tudo nas nossas vidas, abstendo-se de repor a racionalidade e justiça à situação... ... quase como se fossemos para-cidadãos, uma espécie não-exactamente-humana, mas parelela ao homo-sapiens. ‘Guess what!?’ Toda a gente é, no mínimo, assim tão ‘homo’ como nós!!
E cá vai um achado que vão amar, originário do Brasil – 'Parentalidades "impensáveis": pais/mães homossexuais, travestis e transexuais', por Elizabeth Zambrano:

RESUMO:
O aumento do número de famílias formadas por pais/mães homossexuais, travestis e transexuais tem se tornado não apenas um fato social, como também um fato socioantropológico, requerendo uma revisão das nossas convicções tradicionais. O propósito deste artigo é demonstrar como o modelo tradicional da família - considerada uma família "normal" - tem influenciado a construção de parentalidades consideradas, até recentemente, impensáveis, seja socialmente ou perante a lei. O desafio deste momento é enfrentar as novas demandas e desconstruir antigas certezas da antropologia, da psicologia/psicanálise e do direito, favorecendo a legitimação dessas famílias dentro da sociedade.

Monday, November 27, 2006

Precisa-se: Mais Pedagogia!

De muita pedagogia precisam os portugueses!

O VIII Colóquio do Curso de Sociologia – dedicado ao tema “Sexualidade: dilemas e indefinições” – que hoje teve início no Centro de Sociologia da UMinho, em Braga, e que amanhã terá o seu desfecho, recebeu 4 fantásticas contribuições esta tarde no debate “Identidade, Cidadania e Intervenção Política: o Activismo Gay e Lésbico”.

- A Professora Ana Brandão (da UMinho) centrou o seu discurso nos aspectos académicos/científicos dos fenómenos LGBT, em particular LG. Construiu a retórica do sociologicamente vigente, no âmbito das sexualidades queer, e preocupou-se em anular a interpretação errada mas corrente, de que a homossexualidade, ou outras sexualidades não-heteronormativas, constitui um comportamento desviante;
- O Activista António Serzedelo (representante e ex-presidente da Opus Gay) depois de resumir a ‘história’ da cultura e representatividade social gay/lésbica em Portugal e não só, apresentou o discurso tipicamente gay proud, onde constaram todas as reivindicações que fazem do activismo LGBT uma causa coerente, consequente e politicamente urgente;
- O Activista Telmo Fernandes (representante do GRIP) apresentou as linhas directivas da acção da ILGA em Portugal, e falou da importância do associativismo e visibilidade para o sucesso das reivindicações LGBT;
- A Psicóloga e Activista Eduarda Ferreira (representante do Clube Safo) exprimiu os conceitos que regulam a ideologia do Clube Safo. Estes decorrem da desconstrução do modelo heteronormativo que toda a sociedade faz validar e dissemina, que impõe demasiados limites à acção, expressão e identidades, particularmente das mulheres – sendo que para as lésbicas é especialmente antagonizante e desprovido de senso.

Só existe uma observação negativa a fazer desta palestra que deveria ser apresentada em horário nobre por todos os canais mediáticos portugueses – só para lhes dar um a ideiazinha modesta do que move os LGBT: a audiência, 99% composta de estudantes, não calou um burburinho durante todos os 165 minutos, e era evidente que não estavam tão interessados no tema quanto nos benefícios curriculares imediatos da comparência no debate. Deviam era levar com muita mais desta pedagogia! O havia ainda no porta-estandartes do auditório um espaço livre para uma bandeira do orgulho gay!

Friday, November 24, 2006

Sexo (i.) moralidade

Será que o sexo heterossexual é mais moral que o sexo homossexual?

A casa em que vivo neste momento foi-me emprestada por uma grande amiga, que, tendo-se casado no início do mês com um cidadão estrangeiro, deixou Portugal para ir viver lá fora. Quando me entregou a chave da casa instruiu-me sobre o funcionamento dos sistemas, dos electrodomésticos e... da cama. O que ela me disse foi que não trouxesse pessoas estranhas (!? – como toda a gente que eu conheço e ela não!?) para o apartamento, e em especial, que não deixasse ninguém cá dormir. Porque ela sabia como as coisas aconteciam, e podia ser de repente, e ela não queria que eu usásse a cama para fazer ‘aquelas coisas’, porque deveria respeitar aquela cama, que é a sua cama de casal.

Mas estaria a faltar ao respeito a quem afinal!? À cama ou ao casal!?
Pois! Quer-me parecer que no fundo a ela não lhe agradaria sequer imaginar – porque quanto a ele tenho dúvidas, e talvez ela também, razão pela qual lhe agradará menos ainda – que naquela cama pudesse já ter havido sexo lésbico e que a amiga Grace participava na ocasião!

Aquela cama é a cama onde todas as noites descanso. Não é a minha cama de casal, mas é a minha cama, neste momento. E isso é suficiente para que eu tenha todo o respeito do mundo por ela. Inclusivamente coloco-lhe os meus lençóis, novos, para que pouca diferença haja entre esta cama e outra qualquer das camas que ‘são minhas’ e que eu tanto estimo e respeito.
Não poderia, porventura, considerar eu que aquela cama não me serve porque já terá havido sexo heterossexual nela?
Foram outros lençois, outra vivência nesta habitação... mas sexo não é todo sexo!?
E será que de facto a cama se importa com a natureza do sexo e a orientação sexual dos amantes? Será que a cama prefere mesmo suportar os abanões heterossexuais às coreografias lésbicas!?

Não se trata de camas, como dá para perceber. Trata-se de mentalidades. De limitações nas ideias, de pré-concepções de que o sexo homossexual é porco e imoral, quiçá pecaminoso, porque consegue corromper não só os espíritos dos esposos – que entregues um ao outro pudessem ousar imaginar a cena lésbica e per(mas)turbar-se de nojo – mas também o espírito da ‘cama de casal’!

Monday, November 20, 2006

Chegar ao Mundo

Não poderia haver melhor notícia para baptizar um bLoG(BT) que esta:

A Organização das Nações Unidas pôs a mão na consciência a associou-se aos grupos de activismo lgbt de todo o mundo numa campanha para discriminalizar a homossexualidade do mundo. A homossexualiade ainda é um prime punível com penas diversas em 75 países, cujos governos que não respeitam este documento.

A estratégia da ONU/IDAHO é simples... publicitar a participação de figuras públicas, reconhecidamente célebres, como apoiantes da intenção e percursores desta acção. Claro, que este objectivo é desde há muitos muitos anos brandido por todos @s lgbt do mundo, associad@s em grupos activistas ou não. Mas o reconhecimento público e a este nível institucional-global da nossa luta, ganha maior expressão e alcance com iniciativas como esta. Lamenta-se que tenha de ser assim, e só agora, mas correríamos o sério risco de ver os nossos filhos, netos ou posterior descendência a serem perseguidos pelo mundo fora se nem agora nos mobilizássemos.
Em Portugal unem as mãos a Ilga Portugal, o Clube Safo, o NãoTePrives e as Panteras Rosa. E nós todos podemos também! Vamos lá às teclas! Vamos assinar esta petição! Aqui!

P.S.: Se querem dar uma olhadela às pessoas célebres com quem se podem associar, vejam nesta lista os nomes de quem já assinou. Ana Gomes, Lara Li, Ana Zanatti, José Saramago, Miguel Portas, Miguel Vale de Almeida são nomes de alguns portugueses. David Bowie (cantor), Michael Cunningham (escritor) e Judith Butler (pensadora dos temas queer) são outros de entre os muitos célebres.