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Thursday, November 13, 2008

"Estudo aponta para visão positiva de famílias homoparentais"

Diário Digital - quinta-feira, 13 de Novembro de 2008 11:28

Um estudo sobre a forma como em Portugal a sociedade vê as famílias homoparentais aponta para uma «visão muito positiva», disse à Lusa o responsável pela investigação.

«De uma forma geral, os futuros técnicos das áreas sociais têm atitudes muito positivas perante a homoparentalidade», disse à Lusa Jorge Gato, investigador na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.
Autor da primeira tese de doutoramento realizado em Portugal sobre homoparentalidade, Jorge Gato, no trabalho que está a desenvolver, concluiu que as atitudes dos técnicos são «ainda mais positivas nos casos em que a homoparentalidade é feminina».

O estudo pretende saber qual a atitude dos técnicos psicossociais como professores, médicos e assistentes sociais.
«Pretendo saber o que pensam os alunos destes cursos que, futuramente, vão trabalhar directamente com todo o tipo de famílias», referiu.
«Nos movimentos liberais e nos meios académicos, já se começa a falar neste assunto mas ainda é encarado como um tema com algum melindre», frisou o investigador Jorge Gato.
Em Portugal, é ainda «muito difícil falar de famílias gays ou lésbicas porque não há números reais. As famílias existem, mas são algo de invisível», disse.

Os estudos existentes foram, sobretudo, realizados nos Estados Unidos e demonstram que não há diferenças entre as competências parentais de pais homossexuais e heterossexuais.
«Também não existem diferenças entre as crianças criadas em famílias homoparentais e as que são criadas em outro tipo de famílias», disse o investigador.
«O maior medo das famílias onde existe a homoparentalidade não é o acto de se assumirem como tal, mas o receio de que as crianças possam vir a ser descriminadas pela sociedade», finalizou Jorge Gato.

Os dados provisórios do estudo vão ser apresentados na noite de sexta-feira, no Ciclo de Cinema Feminista de Braga, organizado pela UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta.

Friday, December 29, 2006

Fecundação das lésbicas - discriminação da feminilidade

Recentemente dei de caras com esta notícia interessante, muito na verdade.

(...) um método de procriação medicamente assistida que permite substituir a proveta usada na fecundação «in vitro» por uma cápsula permeável, depositada no útero da mãe.”
Isto constitui um progresso estrondoso para os casais para quem a concepção representa um esforço sobre-humano e a parentalidade uma missão de vida. Pessoas que são o oposto disto...
Com esta evolução técnica, a fecundação artificial de qualquer mulher tornam-se imensamente mais simples. Repito, qualquer mulher tem a beneficiar com este progresso. Excepto as lésbicas portuguesas!

Do ponto de vista das reivindicações lgbt esta notícia ainda significa muito pouco, portanto. Como é sabido, a reprodução medicamente assistida em Portugal é vedada a mulheres solteiras e aos casais homossexuais – antes de mais porque não está legitimada a ‘conjugalidade’ dos casais homossexuais, e todo um conjunto de normativas legais acerca das uniões civis entre pessoas do mesmo sexo (o que, desde logo, torna indevido o uso do termo ‘casais’, porque quando muito as leis permitem falar em ‘pares’ homossexuais).

Mas tais ditames legais nunca impediram nenhuma mulher, ou as lésbicas, em particular as que constituem casais, de conceberem recorrendo à ajuda de dadores de esperma conhecidos e a algumas ‘operações’ caseiras para levar a cabo uma ‘fecundação artificial assistida’ embora menos ‘medicamente’.

A notícia que suscitou este post relembrou-me de mais este aspecto discriminatório nas leis portuguesas. Neste caso particular a mensagem que o Estado Português, moderno e europeu, se arrisca a emitir para outros estados modernos e europeus, é de uma clara discriminação, pois que se autoriza disponibilizar o progresso científico apenas às mulheres que as estão conforme as restrições de uma determinada lei que regulamenta a reprodução. Em comparação com estas, e sob o ponto de vista jurídico, nós lgbt somos, para todos os efeitos, menos cidadãos. Para o SNS seremos então menos urgentes. Seremos, porventura, menos humanos para os médicos!? De pouco nos vale o progresso técnico e científico que a humanidade persegue.

Em muito pouco tempo é a segunda vez que sinto a minha vida ameaçada pelo meu país. Eu repudio esta retórica, não é possível cooperar. A verdade é que somos exactamente pessoas, exactamente homo-sapiens. Somos também homossexuais.