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Wednesday, May 30, 2007

Identidade Social Sim, Separatismo Não!

Há já vários dias que encontro em vários sites internacionais de notícias de temática homossexual a notícia de que um 'empresário' inglês na Austrália recorreu aos tribunais para garantir que no seu bar gay não entre nenhuma pessoa heterossexual, ou sequer lésbicas.

O argumento que o motivou para tal medida - afastar a possibilidade de confrontos entre hetero e homossexuais, e proteger a privacidade destes - pode parecer-nos razoável, sem dúvida. E até mesmo sensato ou indispensável aos olhos daqueles que terão já passado por tais situações, mas promover uma política de separatismo parece-me errado em todos os sentidos: excluir heteros é tão reprovável quanto excluir homos, especialmente quando o argumento discriminador é moralista - e nas LGBTfobias/heterofobias é-o sempre.

Não quero com isto dizer que o apelo comercial tenha de ser equitativamente dirigido a todos os públicos. De facto, parece-me muito boa estratégia comercial explorar o nicho gay dos mercados, através de campanhas publicitárias (grandes e generalistas) que apelem à sensibilidade particular dos homossexuais. Mas adoptar esta política de verdadeiro separatismo só ajudará a transmitir a noção de que há diferenças cruciais a preservar, de entre as quais valores morais decorrentes de uma orientação sexual.
Não devemos esquecer que aquilo porque os homossexuais aspiram é que, em todas as sociedades, o seu 'padrão' se torne, relativamente àquele 'padrão' maior e pural, indestrinçável dele, e prolífico com ele.

Wednesday, January 17, 2007

Lesbofobia agravada - quanta será silenciada?

E quantos actos pedófilos, e crimes contra a terceira-idade a ocorrerem em público passarão impunes todos os dias?

«Um casal de lésbicas e outras quatro pessoas foram agredidos na madrugada deste domingo, 14/1, no bar El Punto, em Santiago, no Chile. Tudo começou depois que Isabel, 18, e Paz, 21, trocaram um simples beijo na boca. Os jovens receberam pontapés, socos e foram agredidos com barras de ferro por sete funcionários do estabelecimento.
Como se não bastasse, o casal e suas amigas ficaram presas no bar sem possibilidade de ligar para a polícia ou parentes. A ONG Movimento de Integração e Liberação Homossexual (Movilh) anunciou que entrará com uma ação contra o bar.
“Isso é alarmante. É um dos casos mais violentos de que tivemos notícia. Não é possível que sete homofóbicos agridam e seqüestrem um casal de lésbicas só porque se beijaram e ao mesmo tempo agridam seus amigos porque tentaram defendê-las”, disse Rolando Jiménez, presidente da entidade.»

A assunção de que a justiça mora no juízo popular nunca foi propriamente certa: ora peca por cega, ora peca por míope, ora por tardar, ora por se precipitar. Então e agora!? Não se educa o povo a entender os limites das suas competências cívicas!? Onde estão os tribunais de justiça legal!? E a educação para um acertado entendimento das sexualidades!? Onde está o Estado para fazer o trabalho de casa, hein!?

Thursday, January 4, 2007

Eyes On... Purex

Este bar em Lisboa foi-me apresentado como bar lésbico. Mas é muito mais que isso.

Nada tem a ver com um bar de engate; é convívio puro. A frequência é predominantemente homossexual, contudo mista, ou seja, hetero-friendly. As idades vão desde 22 a 42, grosso-modo. Trata-se de jovens profissionais, mentes criativas, ‘disponíveis’ para um futuro incógnito. Pessoas à procura de lustro nas suas vidas sociais, dificilmente serão funcionários públicos!.

Espacialmente distinguem-se duas zonas, nenhuma delas especialmente reservada para dançar (qualquer parte serve, até um banco!). No fundo, padrões de arabescos e tons vermelhos assomam a maior atenção, mas o elemento que domina o espaço é o balcão, em grande parte devido ao ânimo que as pessoas lhe dão. Só se servem bebidas, cuja variedade é significativa. De serviço, quase sempre, uma personagem que parece saída de algum filme algures entre o Scooby Doo e o Saturday Night Fever! Com ele uma rapariga, de vez em quando acompanhados de mais alguém.

A ambiência surge entre algum fumo, uma iluminação contida, limitada ao estritamente essencial, e a música jovial e diversificada, como as pessoas: desde ‘early 80s’, até electro-funk, ou punk-rock... a pedra de toque é o bom gosto. A decoração – desde lanternins a bancos – segue o espírito do DoItYourself, aproveitando-se muitos materiais que já tiveram, noutras vidas úteis, outras funções.

Em resumo, sente-se que este bar se entrega muito a quem o frequenta.
Encerra às quatro da manhã e às segundas-feiras. Na Rua das Salgadeiras, 28, ao Bairro Alto.

Tuesday, November 28, 2006

Eyes on... BarCode

Eyes on... BarCode

Fica na Rua do Anjo, em Braga, o BarCode. É um bar gerido por raparigas, com uma frequência muito diversificada – lésbicas, gays, bissexuais e heterossexuais. Funcionam durante a semana e ao sábado.
O espaço ocupa o rés do chão de uma casa antiga, característica daquela zona da cidade, e não se nota ter havido uma recuperação cuidada. Por isso, o ambiente interior é tendencialmente artesanal. As paredes pintadas em tons eléctricos de azul-celeste e rosa-choque conseguem arrancar alguns reflexos mais vivazes da decoração, de certo modo inconsequente, e a iluminação é de meia penumbra, bastante agradável. A música ambiente varia entre a banda sonora da série The L Word e as melodias easy-listning de K&D e outros ‘loung-masters’ que há uns anitos ensinavam a malta a diluir as festas... por isso um bocadinho esquecida de novas sonoridades (seria interessante ouvir umas riot-girl vibrations, mas podia afastar alguma clientela!). Nalgumas noites um/a DJ leva outros temas sonoros para salgar um pouco o ambiente.

No geral, pareceu-me que o espírito deste bar bebe directamente da ideologia party encenada na já referida série The L Word – para a qual ajuda um pouco a produção fashion da bar-girl que habitualmente serve – mas fica a milhas de conseguir um sucesso reconhecível – porque a banda sonora não chega, faltam sobretudo as pessoas e ideologias. Mas a vontade está lá, apesar de toda a distância dos cenários Hollywoodescos, ou não fosse este um barzinho lgbt no interior norte de Portugal.